A NOVA CENA DRAG DA NOITE PAULISTANA – PARTE 3

Por Eduardo de Oliveira Junior

+ NÃO VIU A PRIMEIRA PARTE DO POST COM ENTREVISTA: TRIO MILANO, SAMANTHA BANKS, RITA VON HUNTY, REBECCA JONES E MELISSA FEGHALI? VEM VER!

+ A SEGUNDA PARTE DO POST ENTREVISTAS COM: BIANCCA BANKS, DIEGA DE NEVE, LEONA LUNA, STELLA JAGGER, ISABELLA PASCOLLATO, CARRIE MYERS E GABRIELLY LEONY

 

A mais ou menos um ano atrás eu estava colocando no ar o primeiro post dessa série de posts sobre “A nova geração de drags”, as pós-rupauls-drag-race.
Só que desde esse um ano de post ocorreu um “Boom” tão grande de novas drags surgindo; a cada semana têm pelo menos uma adicionando. Chega a ser complicado de acompanhar até!
Aí eu decidi: elas precisam de visão! Então venho aqui anunciar a voltar do blog também.
A uns três meses comecei a me montar também, nesse post introduzo um pouco da Duda Dello Russo pra vocês. Essa personagem também virará blogueira aqui no BOYMAGIA.ORG, quero poder fazer dessas montações ainda assunto para muitos posts.
E drags que não estão no post: Keep Calm! Se depender de mim ainda terá parte 4, 5, 6, 7….

Vamos conhecer o mais novo time das drags new face?



1 – Acompanho a Bianca meio que desde e a sua primeira montação e vejo uma mudança bem grande. Como foi criar esse novo formato da Della Fancy? E porque da mudança?

Eu sempre quis que a Bianca tivesse o formato que ela tem hoje em dia. O estilo underground sempre foi algo que eu planejei pra ela. No começo, infelizmente, eu não dominava as técnicas de maquiagem e pra não fazer feio, optei por algo mais seguro. Depois de noites a fio praticando trancado dentro do banheiro, me senti seguro e finalmente pude ir de Naomi Campbell realness a Mermaid Queen hahaha

2 – Quais as dificuldades de ser new face?

A competição nesse meio é enorme, você precisa provar que é capaz de ser tão boa quanto as que já estão na cena há mais tempo, e convencer as pessoas de que você é capaz se torna um trabalho constante. Porém, procuro ver o lado positivo e no final das contas, isso me ajuda a crescer enquanto artista e expandir cada vez mais (e melhor) a minha visão. A provação a que uma drag new face é submetida a cada trabalho, só faz com que ela cresça e aperfeiçoe seu trabalho. Só cai no comodismo quem quer. Portanto, não vejo muitas dificuldades, tudo pode servir como aprendizado.



3 – Muitas acreditam que o fundamnetal de uma drag é saber dançar/performar/etc, mas a Bianca Parece muito mais ligada à imagem forte dela. Como você lida com esse pensamento das pessoas esperare que por ser drag você seja meio que “show-girl”?

Cada drag tem sua forma de expressão. Algumas dançam, outras performam, e tem aquelas que nem à boate vão. Acho tudo muito válido se for de acordo com a visão do artista por trás da drag. Eu nunca tive pretensão de ser DJ ou performer, mas a Bianca é uma extensão da minha visão artística, é a ponte que me liga a um mundo completamente diferente do que eu estou acostumado dentro da minha rotina. Por ter essa imagem tão forte, os convites para performar e tocar em festas não demoraram pra chegar. Então eu vi uma oportunidade incrível de ter ainda mais interação com o público. O carinho é muito gratificante e é sempre muito divertido. Hoje eu posso dizer que a Bianca é, também, uma show-girl.

4 – Você conquistou um público gigante em pouquissimo tempo. Isso te trouxe até oportunidades para tocar em festas como Dj; como têm sido a recepção tanto pra quem te vê nas pick ups e para os fãs ~de internê~?

Eu não tenho como colocar em palavras o carinho que as pessoas tem comigo. Tem sido cada vez mais incrível e é emocionante ver que tanta gente ama um trabalho que você dedica tanto tempo, paciência e dinheiro pra fazer. A cada mensagem que eu recebo, percebo como vale a pena fazer aquilo que você ama de verdade. Eu só tenho a agradecer, de verdade. OBRIGADA #TEAMFANCY HAHAHA
Tocar em festas em sido uma delícia! Acho que a febre da “Drag Dj” é um caminho natural. Assim como a maioria não fiz curso de DJ e jamais me igualaria a alguém que estudou para tal. Acho que todas devem ter em mente de que é mais uma oportunidade de estar em evidencia e em contato com as pessoas que curtem o seu trabalho. É uma via de mão dupla onde todos saem ganhando, principalmente a festa por ter uma figura tão chamativa na pickup. A gente conhece muito uma pessoa através das músicas que ela ouve, e ser uma Drag Dj é também uma ótima chance de mostrar um lado da Bianca que nem todos conhecem. Esse mês por exemplo vou fazer para Belo Horizonte tocar e performar e não poderia estar mais ansiosa!

5 – Como você enxerga a BIanca daqui 2 anos? E daqui 8 anos

Com muita saúde pra trabalhar feito uma condenada! hahaha Quero ajudar drags iniciantes, projetos sociais, firmar parcerias com estilistas, fotógrafos, artistas plásticos e diferentes vertentes da arte.
Acho que a Bianca tem força suficiente pra engolir o mundo. Bom, pelo menos boca pra isso ela tem! hahaha

1 – Sei que o nome da Charlotte têm uma histórinha ótima, conte um pouco sobre de onde veio.

A princípio eu queria algo que envolvesse “Fadel”, inclusive meu nome antes dessa bagunça toda era Lola Fadel, sempre achei muito bonito. Sabendo isso, ramo lá, no segundo ano do ensino médio, eu estudei sobre a revolução francesa, e logo apareceu uma figura chamada “Charlotte Corday” e ela foi a possível assassina de uma das pessoas mais importantes da revolução, ela, ao meu ver foi uma heroína, eu entendi minha personagem como alguem meio very crazy, alguém bem dissimulado e completamente imprevisivel e ninguém melhor pra ter essas caracteristicas que uma assassina, né? Mas eu não era só louca, very crazy, eu queria ser glamour, sabe? Queria trazer a imagem de alguém no qual as pessoa vissem uma feminilidade, uma doçura que encantasse, então, eu não queria mais colocar Charlotte, até saber que a Rainha Maria Antonieta tinha Charlotte no nome. Daí, pronto! Uma rainha era tudo o que eu precisava ser, hahaha. Então ficou Charlotte, mas voltando lá na história da assassina, tem uma arma no Call Of Duty que é meu jogo e minha arma preferida, chamada Fal, que é um fuzil. Então eu encaixei, Charlotte Fal. Mas tava muito simples, e eu queria mais. Então pensem em Charlotte Faldel.(lembra do Fadel? então) só que ia ficar muito estranho, e eu não gostei. Dai percebi que “FADEL” se encaixaria se eu mudasse a ordem das letras do final do nome Charlott~E DFAL~ e eu amei. Só coloquei um tracinho pra ficar mais chacharmoso e voalá.

2 – Das new face pouquissimas conseguem fazer a caricata realmente, e você realiza isso com muito êxito (seja no fumódromo ou via facebook); você tem medo de ficar presa a esse “comedy queen” e não te levarem a sério?

Eu não me importo muito com o “ser levada a sério”, sou toda errada mesmo, como diz aquele ditado: “não me leve a sério, me leve para comer coxinha depois do after.” – Clarice Lispector. Brincadeiras a parte.. Sou bem 8 e 80, ou eu estou falando sobre o golpe de 64 ou eu estou fazendo a bêbada louca que ama cantar hinos da igreja. Eu separo bem minhas partes, me demonstro séria em alguns assuntos, mas quando eu ativo minha lado engraçado, faço piadas todo o tempo,. daí fica claro ver que isso faz parte da minha personagem. Gosto do meio termo, então, acredito que eu tenho meu lado comédia, mas sei me posicionar quando preciso, então não me sinto tão presa só no “ai, a Charlotte é louca, não liga.”

3 – Na hora do look parece que vale de tudo pra Charlotte; um salto amarrado na peruca, uma boneca na cabeça, ursinhos na roupa, roupa de plástico ou até moedinhas na peruca. Você têm medo de ser má compreendida?

3. Eu cheguei em um nível que se qualquer outra Drag chegar com uma peruca toda desfiada, armada, com um fio se quer fora de lugar as pessoas não vão entender e talvez ela seja gongada por isso. Inclusive vão rir dela estando do meu lado, que provavelmente estarei usando uma peruca muito pior, toda detonada, porém no meu estilo. “A Charlotte pode ser errada”, criou-se uma zona de entendimento da minha personagem que é algo incrível! As pessoas acham graça, pedem pra colocar a mão nos looks como se eu fosse de outro planeta. Então, ser incompreendida não é meu medo, o meu medo é de eu juntar um monte de coisa sem conceito pra formar um look e não ser polida, acho que isso é algo que eu tenho que melhorar muito. Minha polidez.

4 – Ultimamente muita “rixa” têm rolado entre as drags; as vezes vêm mais do pessoal de fora até. Por que todo esse atraque?

Esses atraques são algo que eu realmente não entendo e não sei porquê eles acontecer. Fazendo a miss, acho que se todas as Drags se ajudassem, todos nós teremos um mundo muito melhor. Sei que é clichê, mas devemos nos unir, pois já somos uma minoria que sofre muito.

5 – Com pouco tempo você já preenchendo seu “currículo drag” de um forma surpreendedora; vai de performace na Katwalk, hostess, prêmio de Cover Girl e destaque em desfile. Quais são seus próximos planos pra Charlotte?

Tenho conquistado meu espaço, de vagar e no meu tempo. Tenho planos de fazer as pessoas darem risada, quero que as pessoas me conheçam como alguém que você não aguenta ficar muito tempo de lado, sem rir. Essa é uma das minhas maiores satisfações, isso no lado mais pessoal, no profissional eu quero sim fazer shows, tenho muita coisa guardada e minhas ideias transbordam o tempo todo, quero ter oportunidade de vomitar meu arco-íris criativo, me esvaziar, até chegar a hora que eu esteja seca de ideias, daí eu serei uma Drag mais feliz. Espaço, acho que é o que todas querem.

1 -  A Duda parece um personagem bem cru ainda, como têm sido molda-la? Como você a definiria e porque esse nome?

A duda é bem cru sim ainda! Eu pensei nela pela primeira vez lá pra fevereiro, quando anunciaram a festa “Frenética Cranaval especial montadas”. Eu nunca tive vontade de me montar, mas aí resolvi acompanhar a Charlotte e me montar (foi a primeira vez que saímos montados).

Eu só consegui realmente me encontrar a um mês, acho que agora realmente sei quem a Duda é: ela é a diversão do facebook, ela é escrachada, bebe muito e seus looks são bem de personagem. Não gosto nem sei fazer linha fish-girl, ou seapunk, ou sei lá mais que rótulos usam.

Se a duda vai usar algo vermelho ela se pinta toda de vermelho, se ela vai de Mickey tem que ter algo bem exagerado (como as luvinhas). Não sei me ponderar rs.

E é Duda porque me chamo Eduardo, Duda é uma irmã imaginaria minha; ela se parece MUITO com o Eduardo. E Dello Russo pela minha editora de moda preferida Anna Dello Russo, ela usa as roupas como diversão e tem um exagero que assemelha muito a Duda (ou pelo menos eu quero que assemelhe).

2 – Como têm sido o olhar dos seus amigos à Duda? E quanto a namorado e ficantes?

Foi um espanto pros meus amigos! A primeira vez que alguns amigos me viram montados até choraram, não sei até hoje se foi de medo/felicidade/tristeza/catuaba hehehe

Muita gente não sabe que me monto, então eu acabo encontrando sem querer pelas baladas e caem de cara chão. Mas os que eu gosto mesmo conhecem muito bem a Duda e são fãzokos dela.

Quanto a namorado, meu ex nunca chegou a ver a Duda (só tinha ela no facebook);. acho que ele não chegou a vê-la mais por falta de tempo mesmo. E  por enquanto não tive problema nenhum por me montar, sei que a maioria dos gays são bem preconceituosos mas tenho sorte de conhecer gente muito bacana que respeita a Duda e sabe separar os personagens.

3 -  A maioria do tempo a Duda está fazendo piadinhas pela facebook, tanto como shade ou como sua pobreza do cotidiano. Você se acha uma drag comedy?

Não! Eu juro que não tento fazer comédia, o que escrevo é o que acontece DE VERDADE comigo na maioria dos dias do ônibus/metrô, sempre relatei essas coisas no facebook do Eduardo e aí resolvi passar a relatar no da Duda.

Mas quando estou em um fumódromo e etc faço também piada com tudo e todos, mas minha intenção não é ser caricata, mesmo às vezes caindo nisso. Não acho que seja ruim ser caricata, eu mesmo sou fãzoko da Charlotte, a que faz melhor isso na minha opinião. Quando junta eu e ela o negócio vira bagunça até.

4 -  O look da Duda é sempre o que mais chama a atenção, você acha que Look é a coisa principal de uma drag?

Não sei se é o principal, mas é o que eu mais me foco! Mesmo sendo um ponto forte também sei que é um fraqueza, eu me preocupo tanto com isso que acabo esquecendo de certas coisas; como maquiagem. Preciso ser mais polida, e eu percebo isso, sabe?

É a coisa que mais tô trabalhando no momento. E voltando a questão de look, sempre me preocupei com isso por eu mesmo costurar todas as minhas roupas, todas sem exceção foram eu que costurei ou bordei ou estampei etc. É 100% hand-job.

5 -  Quais os planos futuros pra Duda?

Primeiro estou com uma lista de coisa que tô doidaaa pra costurar! Váááários personagens e exageros que quero fazer. Mas profissionalmente, estou estudando via-web um pouco de mixagem; sou looouca pra tocar em festas; só música bagaceira que sei que todo mundo vai se acabar bebendo catuaba!

E meu sooonho é virar hostess de alguma festa, o que mais sei fazer melhor é interagir com as pessoas e fazê-las rir impondo respeito; então seria muito muito bom!

 


1 – Como nasceu a personagem Lola? E de onde veio a escolha desse nome?

Sempre se referem a Lola como uma personagem mas eu nunca a vi como tal, e não a criei com intenção de ser um personagem: eu considero a Lola mais como uma extensão da minha personalidade, uma personalidade que eu não posso expressar tão bem estando desmontada, acho. Lola veio de “Lolita”, o livro do Nabokov, sobre uma menina que se envolve sexualmente com o padrasto, termo que passou a ser usado pra descrever meninas que gostam de caras mais velhos e Lewinsky veio de Monica Lewinsky, a amante do presidente Bill Clinton.

2 – Você acha mais importante o look de uma drag ou a atitude dela (seja em uma performance ou sendo engraçada etc)?

Ai que pergunta difícil! Eu sou uma pessoa essencialmente visual, logo eu acredito que eu dou mais atenção ao look porque é a primeira coisa que você entra em contato quando vê uma drag queen/um artista/etc, sabe? Mas é triste quando a pessoa é super talentosa esteticamente, mas não tem uma personalidade pra sustentar o resto né?

 

3 – A Lola surgiu a pouquíssimo tempo e já tem vários e vários fãs pelo facebook e fumódromo das baladas. Como e por que você acha que veio toda essa recepção positiva?

HAHAHAHAHAHAHA Eu não faço ideia sobre como eu fui conseguindo, e ainda estou conseguindo, tanta gente que reconhece meu trabalho no facebook, mas nos fumódromos eu sei HAHAHA Eu sempre brinco com azamigas que eu sou a rainha dos fumódromos, eu adooooro ficar nos fumodromos conversando com todo mundo, sempre! Amo conhecer gente!

4 – Seus looks, maquiagem e detalhes mínimos são sempre muito polidos. Você tem medo de tentar fazer algo diferente da linha que têm seguido e ser mal compreendida?

E você sente uma cobrança quanto a um bom look sempre que chega em alguma balada? Pra falar a verdade, não HAHAHA Eu meio que espero ser mal compreendida, eu acho. E se eu mesma entender as minhas referências, já tô feliz! HAHAHAH E eu sinto só um pouquinho de cobrança quando sou contratada pra festas. Eu sinto que eu tenho que escolher um look que me represente bem, que justifique o motivo de eu ter sido contratada.

5 – Quais as maiores dificuldades que têm sofrido com essa questão de se montar? E os benefícios?

No começo eu achei que fosse sofrer muito preconceito, tanto da sociedade (heterossexual), como do meio gay. Eu tenho plena consciência de que o meio gay é, ironicamente, muito misógino e opressor. Mas eu me sinto mais respeitada montada do que desmontada, atualmente. E não prejudicou nem um pouco minha vida sexual/romântica, eu acho que até melhorou! HAHAH Só tem me trazido benefícios… Acho que uma das maiores dificuldades seriam a falsidade, a rivalidade e a inveja nesse meio. Eu sinto que além da gente se unir, apoiar umas as outras, a gente tende a dar shade, gongar etc e eu acho isso destrutível pra sobrevivência da arte que é ser drag queen. Todas merecem o seu espaço, todo mundo que tem coragem o bastante de dar a cara à tapa desse jeito merece o seu espaço. Mas acho que na maioria dos ramos profissionais isso existe, né? Então melhor passar por isso fazendo algo que eu gosto do que algo que eu não gosto e não é como se eu não esperasse mas isso é o de menos!

6 -  Quem você colocaria em um Rupauls Drag Race brasileiro?

Ah, eu colocaria tiffany bradshaw, rebecca jones, eu, carrie myers, eva x, jane jungle e carlah yuvallac.

1 – Como temos notado o facebook implantou uma nova regra de uso do nome de cartório no perfil, isso antigiu muitas drags; inclusive você. Conte um pouco sobre o que tem acontecido com seu nome do facebook e o porque de ter escolhido esse nome “Eva-X”

Tudo começou á um tempo atrás com a denuncia de alguns perfis de Drag Queens (de forma pretenciosa e maldosa sem motivos aparentes). Logo depois começaram outras denuncias, e acho que isso chamou a atenção dos moderadores do facebook, que intimaram os perfis de drag á mudar seus nomes. No facebook há uma política de nomes para usar o nome original, evitando perfis fake e perfis com intenções criminais. Mas isso não funciona na prática. Acho que houve muito preconceito por parte do próprio facebook.k7,

O significado do meu nome vem da personagem bíblica Eva. A Eva é uma mulher que vem diretamente do homem. E a minha personagem feminina vem diretamente de um homem também. A Drag Queen é uma mulher que vem de um homem, então de certa forma, meu nome é uma homenagem á todas as drags. E a letra X vem do cromossomo que determina nosso sexo. O cromossomo X está presente tanto no sexo feminino (XY) quanto no masculino (XY). é uma forma de dizer que eu posso ser mulher e posso ser homem. Podemos ser o que quisermos.

2 – Qual a ligação que uma drag têm com a politica gay?

Acredito que o ato de um homem se vestir e agir como uma mulher é uma forma de questionar os parâmetros vigentes na nossa sociedade. Parâmetros relacionados á sexualidade e gênero, como a idéia de que se você nasce com um pênis, você é um homem, deve se portar como tal e se relacionar com o sexo oposto.

A Drag Queen tem o poder de questionar essa idéia através de toda sua performance (visual e comportamental). Como tal, ela reinvidica esses parâmetros, assumindo abertamente uma posição perante a sociedade. Assumir uma posição é um ato político, pois você se responsabiliza e dá voz para um discurso.

A homossexualidade é transgressiva por natureza, já que vai contra o comportamento sexual da maioria . Acho que a drag capta essa transgressão sexual e por isso acaba se tornando um porta voz da comunidade homossexual. Acredito que não se trata apenas de direitos da comunidade GLS, mas direitos de escolhas, de expressão e poder do ser humano. Especialmente, o poder pela mudança.

3 – Recentemente você fez um post pedindo (e suplicando!) pra que te contratassem paras as festas, você acha que tem falta de incentivo para novas drags?

Hahaha, o suplico foi um tom de humor exagerado (mas não deixa de ser desesperador). Sim, eu sinto falta de incentivo. Mesmo sentindo falta, a situação tem melhorado muito, em relação á profissional Drag Queen. Antigamente, a Drag era restrita aos clubes Gays e hoje podemos vê-las atuando além desses ambientes, trabalhando com apresentação de programas da TV, atuação, animação de festas, cantoras, comediantes. De certa forma isso acaba incentivando novos profissionais e um mercado de fato está se firmando e expandindo. Mas ainda sinto muita informalidade nas casas noturnas. E claro, há também as drags que se montam apenas por diversão. Talvez isso acabe confundindo um pouco o olhar das pessoas.

Não tem sido fácil para mim, pois não é um trabalho que possua carteira assinada e vaga disponível. Você precisa conquistar seu espaço e parece não haver uma formula pronta pra isso. É muito variável, de artista pra artista.

4 – Como têm sido a divisão do Bruno e da Eva? Tanto no seu armário de roupas, amigos e personalidade.

Hum, resposta complicada, haha. Já percebi que isso difere de drag pra drag. Comigo, é uma divisão mesmo. A Eva é uma personagem com vocabulário, atitude, movimentos, tom de voz, e roupas próprias. Mas ela faz parte do Bruno, e o Bruno faz parte da Eva, então algumas vezes eles se cruzam. Em relação á roupas, o Bruno nunca usou nada da Eva e a Eva nunca usou nada do Bruno, haha. Estou muito contente, porque tenho feito muitos amigos novos que estão por perto tanto como Eva como Bruno.

5 – Grande parte dos acessórios e roupas sei que são feitos por você. Como é a construção de um look da Eva? Você acha que já conseguiu encontrar um segmento/personalidade da Eva?

As minhas idéias simplesmente saltam da minha cabeça e quando menos espero, preciso pegar um lápis e um papel para registrá-las. A natureza é minha principal inspiração, mas sempre mesclo referencias, que vão desde personagens de desenhos animados, figurinos de cantoras e até mesmo roupas que já foram usadas através da história. Observar desfiles também ajuda muito.

Gosto de fazer a linha Renner e ter todos os estilos, haha Eu gosto de variar muito, mostrar que sou uma artista bem versátil capaz de se adequar á qualquer proposta de performance. Uma noite posso estar mais sexy, na outra mais discreta, na outra mais exagerada, engraçada, mas o meu estilo preferido é a Drag caricata, debochada, exagerada, colorida. Eu definiria esse como meu estilo principal.

6 – Provavelmente têm alguém lendo que quer começar a se montar mas falta aquela coragem ou sem saber por onde começar. Que conselho você daria e que gostaria de ter escutado quando você iniciou?

Ser Drag exige esforço, paciencia e uma força muito grande (física e psicologica).
Esteja sempre disposto a aprender mais. SEMPRE!
Divirta-se, você está prestes á se tornar uma caricatura ambulante! Não leve tão a sério!
E arrasa, bi !!!
TRÁ


1 – Como nasceu a Lia Clark e o por que desse nome?

A vontade de me montar veio da minha admiração as divas pops e do Trio Milano também. E eu sempre gostei de coreografia e dançar, e só de pensar em fazer isso em cima de um palco com pessoas assistindo, me animava mais ainda!
E depois de muito tempo passando vontade, a Lola deu a oportunidade da Lia ser “parida”! Foi um sufoco, não tinha peruca, maquiagem e nem roupa e quase desisti no dia ahahah mas deu tudo certo… acho que nunca fiquei tão tenso.
Depois desse dia, a vontade aumentava cada vez mais e até que hoje a Lia se tornou concreta. Já me sinto muito a vontade saindo de peruca, salto e etc.
O nome é simples: Lia, da Lia Khey do BBB por ser uma mulher de um gênio muito forte (mentira, é só pq eu amo ela) e Clark > Naomi Clark, uma patricinha fútil e rica do seriado 90210.

2 – Como é ser um Drag em Santos? E como vocêr vê a cena lgtb da baixada?

Para uma drag voltada ao circuito pop, aqui em Santos não há muita variedade. São poucas as festas que possuem esse estilo e uma delas é a Hello Party, da qual tenho sorte de ser residente com minha dupla Luara Lakes.
Foi a primeira porta que nos abriu aqui em Santos e depois disso tocamos em outras e por ai vai. Não temos concorrência, mas também não variedade. Isso que me motiva ir pra São Paulo todo fim de semana e aparecer cada vez mais.
Quando eu comecei a sair, a cena LGBT por aqui era bem fraca, não possuía opção a não ser as baladas que só tocam aqueles remixes que se você escuta uma frase inteira de uma musica você chega até a comemorar! Nada contra, mas prefiro ouvir as versões originais…
Hoje em dia, temos mais lugares para ir, e ainda baladas como Liquid Love e Tribal Club que adquriram a ‘pista pop’ para o pessoal que prefere.

3 – Sei que a Lola é sua “mãe drag”; mas vocêsnão se parecem muito (digo em questão de imagem e personalidade), o que você acha que absorveu dela?

Bom, eu e a Lola somos amigas deve fazer uns 15 anos e sim, nós brincávamos de boneca juntas ahahah mas sempre fomos muito diferentes. É engraçado, pois, como eu sempre fui mais velho eu chamava ela de “filha’ e agora é ao contrário.
Ela calhou sendo minha “drag mãe”, pois, foi a primeira pessoa com quem tinha intimidade que começou a se montar e teve a boa vontade de me ajudar/motivar da melhor forma possível.
95% das coisas que eu sei em relação a maquiagem foi ela que me ensinou. E até hoje ela me ajuda em tudo: maquiagem, escolha de looks, acessórios e etc. A minha primeira lace-front foi ela que cortou e por ai vai ahah
Vamos dizer que ela é a “Drag Freak Classy” e eu “Drag Piriguete Quebradeira”. Mas morro de vontade de sair “estranha’ um dia.
Bom, eu acho que por essas e outras nos damos tão bem.
Um grande exemplo seria: enquanto as referências delas são “McQueen, Mugler, Pugh” as minhas são “Bonde das Maravilhas, Peladona de Congonhas, Geisy Arruda e Andressa Urach”.
É a drag que eu sinto mais admiração. Mãe, te amo!!!

4 – Como você lida com a separação da vida da Lia Clark com sua vida de garoto?

Como assim vida de garoto? Eu sou uma mulher biológica!!! AHAHAH
Enfim, a Lia é tudo que eu queria ser: linda, maravilhosa, loira, gostosa, panicat, não trabalha, não estuda, só vai pra balada e o mais importante: mulher biológica (mas isso é outra história rs).
Mas no dia-a-dia sou só um garoto que trabalha com Comércio Exterior e estuda Engenharia…
Porém, eu sempre fui uma pessoa muito baladeira, a única coisa que mudou é que agora vou montada.
Não sei isso passa, mas como eu ainda estou no começo, eu sou fascinado pela Lia e fico irritado quando vou pra balada desmontado… ainda não aprendi e não está sendo muito fácil separar as “duas vidas”.

5 – Sabemos que o maior preconceito às drags vem ironicamente do meio gay; você já sentiu isso (como se relacionar com um garoto e ele descobrir que você se monta)?

Jamais, eu quero é hetero e eles pira na Lia e eu amo isso!! AHAHAH
Mas dentro do mundo gay é meio tenso mesmo. Mês passado eu sai com um cara umas 2x e uns amigos dele conheciam a Lia e eu morria de medo dele descobrir!!!
Acho que a gente vai se acostumando e vai se sentindo mais a vontade em contar com o tempo, porém com certeza ainda existe muito preconceito.
Mas minha vida amorosa é mais parada que a carreira da Britney, então não estou tendo muitos problemas…

 

 

 

 

E aí, gostaram? Já pensaram em sair no post? Demorou pra você montar sua personagem!

Edu Oliveira | FACEBOOK EDU OLIVEIRA
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